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Mulheres são maioria na saúde e lideram por humanização e firmeza

Em Mato Grosso há unidades de saúde em que as mulheres representam 60% da força de trabalho

O setor da saúde é um dos maiores e mais importantes pilares de uma sociedade e foi mais valorizado durante a pandemia do coronavírus. No Brasil, as mulheres são a principal força de trabalho da área, representando 65% dos profissionais que atuam tanto no setor público quanto no privado. É o que aponta levantamento do Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde em parceria com a KPMG Brasil, realizado a partir de dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento aponta que o número de profissionais é maior quando se fala de carreiras como fonoaudiologia, nutrição e serviço social, em que as mulheres ultrapassam 90% de participação, e enfermagem e psicologia, cujo percentual passa de 80%. Ainda segundo o estudo, 44% dos cargos de liderança do setor são ocupados por profissionais do sexo feminino. É neste cenário que se encontram mulheres que descobriram na área uma forma de empoderamento.

Com graduação em Ciências Biológicas e doutorado em biologia molecular, a carreira de Flávia Galindo Silvestre Silva começa em 2005 no Hospital Geral de Cuiabá. Lá, foi convidada para montar o primeiro laboratório de imunogenética de transplantes do Estado. Atualmente, está no seu segundo mandato como Presidente do Conselho Deliberativo do hospital e ocupa uma cadeira na diretoria do Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso (Sindessmat).

“Eu acredito que as mulheres são a força motriz, principalmente no cenário atual, na área da saúde. Hoje no Hospital Geral eu lidero 609 funcionários, dos quais mais de 400 são mulheres, ou seja, mais de 60% de toda força de trabalho. Os cargos da área demandam qualidades que a mulher domina muito bem, como empatia, humanização e firmeza nos momentos necessários”, pontua Flávia.  

Ela destaca que na sua equipe há um equilíbrio de gêneros em funções de comando, além da forte presença da mulher dentro da estrutura organizacional do hospital. Isso porque, a diretoria é composta por dois homens e duas mulheres, e os cargos de gerência são ocupados majoritariamente pelo sexo feminino.

Se do lado da saúde pública Flávia enxerga boas oportunidades de crescimento para mulheres, no empreendedorismo o setor é mais desafiador, explica a Administradora da Help Vida, Soraya Theodora Hadad Simioni. “É desafiador porque é um meio extremamente masculino e permeado por gestores com formação técnica”.

Sem formação na área, Soraya viu oportunidade de abrir uma empresa de serviços pré-hospitalares e de UTI Móvel em 1996, o que ainda não existia em Cuiabá. “A ideia surgiu quando eu era Chefe de Cerimonial do Vice-governador Marcio Lacerda. Durante um encontro do Cone Sul, onde o presidente do Chile participaria do evento, eu era responsável pela retaguarda de segurança de saúde e era exigida, além de leito hospitalar disponível para alguma emergência, uma ambulância UTI que o acompanharia em todos os trajetos que faria durante a estadia na cidade. Nesta época, não havia empresa de UTI móvel em Cuiabá, tivemos que trazer de Brasília e mesmo assim, não atendeu a todos os requisitos exigidos pela organização do evento. Surgiu então a oportunidade de abrir uma empresa de atendimento pré-hospitalar e remoções em Cuiabá”.  

No quinto ano da empresa Soraya viveu uma gravidez de risco, pela qual realizou uma promessa: se sua filha nascesse saudável iria ajudar crianças através da sua empresa. E foi o que ocorreu, em 2002 atendeu o primeiro paciente infantil que dependia de ventilação mecânica em Home Care. Logo em seguida, outra criança do Sistema Único de Saúde (SUS) que precisava dos mesmos serviços foi atendida, sendo a primeira do SUS de Mato Grosso e a 2ª do país em atendimento de alta complexidade em internação domiciliar.  A partir desse momento, o Home Care passou a ser um dos serviços oferecidos pela empresa.

No mesmo sentido da pesquisa do IBGE de 2019 que aponta que mulheres dedicam 21 horas semanais aos cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, Soraya conta ainda que nos primeiros anos, para conciliar família com o trabalho, levava seus filhos para a empresa para passar mais tempo com eles, uma vez que chegava a trabalhar 12 horas por dia. Hoje, a empresa possui 100 funcionários diretos e em torno de 700 prestadores de serviços, e consegue ter uma rotina mais flexibilizada.

Pesquisa mais ampla (Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil, do IBGE) aponta que atualmente, as mulheres ocupam 37,4% dos cargos de liderança no país, e Flávia defende que ainda falta representatividade feminina em muitos espaços. “Nós (mulheres) já conseguimos muito, mas ainda temos muito a alcançar. Já mostramos que somos capazes de ocupar qualquer cargo de administração, técnico ou que exija força física. Hoje não existem limites para as mulheres, temos os mesmos direitos e deveres e somos tão capazes quanto qualquer um. Ainda vamos conquistar espaços que ainda nos faltam e que nos são de direito”, finaliza.

Por: ÍconePress Assessoria de Imprensa e Agência de Conteúdo
Crédito imagem: Freepik

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